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06
Jan19

Dia de Reis


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Dia de Reis 

Hoje lembrei-me, particularmente, de uma história (inventada ou nem por isso) que se passou há muitos, muitos anos (ou nem por isso!)
Era uma vez duas crianças que viviam na mesma rua e tinham sido criadas juntas. Andaram juntas na escola, partilhavam brincadeiras e travessuras, comiam ambos um naco de pão duro metido à pressa no bolso, que o tempo era sempre pouco para as brincadeiras... só quando a energia lhes faltava se sentavam numa pedra e partilhavam alegremente o naco de pão, que lhes sabia ao mais rico manjar. 
Viviam, porém, em mundos diferentes: um era filho de camponês e o outro era filho do rei. A vida encarregou-se de os separar, cada um seguindo o seu caminho, com determinação e responsabilidade, honrando sempre a educação que lhes tinha sido dada pelos pais, onde os valores e o respeito por todos tinha sido sempre uma constante. 
Falecidos os respetivos pais, voltaram a encontrar-se anos mais tarde. Um deles era rei, tinha sucedido ao trono de seu pai. O outro era lavrador, tal como o seu pai tinha sido. Gostavam ambos daquilo que faziam e eram exigentes mas humanos com os seus trabalhadores. Quando se encontraram, os velhos amigos abraçaram-se, falaram da sua vida e prometeram não mais perder o contacto pois a sua amizade era muito importante e valiosa. 
Todos os anos, no dia de Reis, o Rei visitava o seu amigo. Este preparava uma refeição abundante com os produtos da sua quinta e convidava todos os trabalhadores a sentarem-se à sua mesa. Nesse dia, o Rei tirava o seu manto e vestia roupas velhas e ajudava o seu amigo a preparar a refeição para os trabalhadores. Alegre e partilhada, aquela refeição era simbólica da amizade, da partilha e da humildade, dos valores com que ambos tinham sido educados. O Rei levava sempre um pequeno presente, uma guloseima ou doçaria que trazia de uma das suas longínquas viagens e que fazia os delícias de todos.
Desconfiados e cheios de inveja daquela singular amizade, os conselheiros do Rei viam aquela visita com maus olhos e só descansaram quando o Rei deixou de visitar os seus amigos no dia de Reis. A tradição terminou e todo o reino respirou de alívio... onde é que já se tinha visto um Rei com semelhantes comportamentos?
A amizade? Essa permaneceu inabalável até que ambos morreram velhinhos.

A panela de ferro cumpre um papel importantíssimo e destacado no nosso património cultural em geral e gastronómico, em particular. É um elemento ainda muito vivo e simbólico da reunião da família à volta da lareira, pretexto para recordar estórias de outros tempos, enquanto se espera pelo manjar dos deuses, regado com azeite e temperado com ervas e carinhos.

Publicado a 6 de janeiro de 2013
Texto de Ludovina Lopes Margarido
foto de Célio Celio Pinto

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