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ludovinamargarido

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14
Dez18

Pó de Estrelas


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Acocorados, procuram-nas.

Uns de forma interessada e, inequivocamente, incessante, outros apenas de forma curiosa, quase como se parecesse mal não o fazerem. 
Caminho junto à linha de água, no final da tarde. Não o faço de forma apressada, apenas compassada, tentando acompanhar um qualquer ritmo secreto que descubro no timbre da música do mp3 ou, simplesmente, no ritmo das ondas, suave mas incessante. Não as procuro, encontro-as. O meu olhar, distraído pelo colorido da prole que se dá ao sol sob a moldura da urbe, pousa sobre elas como que em resposta ao seu chamamento surdo. Ocultam-se na areia ou cobertas por alguma alga, mas o meu olhar tropeça nelas e obrigo-me a parar a marcha ritmada e a levá-las comigo.
Junto uma mão cheia de tesouros que guardo para mim. Não são conchas embora a forma tenha, com elas, uma longínqua semelhança, no brilho e na essência. Se quisesse identificar a sua origem, dificilmente o conseguiria.
Outros seleccionam-nas pela forma, pela cor, pelo tamanho, percebo que essas características já nada me dizem. A percepção, aguçada pela passagem do tempo de que essas características se esbatem na proporção directa da distância que as separa do mar, da areia, do céu azul, do calor dos corpos esticados na areia, afasta-me dessa selecção, redutora de estímulos. “Pobres…”, lamento. “Espera-as um destino solitário, quantas vezes dentro do mesmo saco de plástico que as recolheu e as transportou ao destino, até alguma recôndita aldeia…”Jamais verão a luz do sol ou voltarão a sentir a carícia do mar. Morrerão de saudades!
As que levo de regresso a casa estarão cheias de significado. Trazem consigo um mundo cheio de histórias para contar. São histórias de marés, de marinheiros, de amores, de vidas desencontradas, de tempestades e tesouros vistos no fundo do mar. Levo-as comigo. Quero que te inebries com o seu brilho, que te apaixones pelas suas formas, pelas suas histórias… São lindas. Lembro-me onde as apanhei, que música ouvia, em quem pensava! Descobri, com surpresa, que é desta essência que se fazem os sonhos! É com o seu pó que se fazem as estrelas! As menos sortudas, as que lá deixei, têm, porventura, outro nobre destino: sabes, aqueles pequeninos grãos brilhantes da areia da praia? Brilham, também, tanto no riso das crianças como nos pés descalços de um pedinte…ou nos corpos nus de dois amantes que se amam, nas dunas, ao luar…


Ludovina Margarido

Docente, Escritora e Mestre em Sistemas Integrados de Gestão

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